Por definição, florestas são um conjunto de árvores. Portanto, quando se fala em floresta, automaticamente, faz-se referência às árvores que a compõe. No entanto, sabemos que uma floresta é muito mais que um conjunto de árvores. Esse post é outra produção baseada na obra A floresta amazônica e suas múltiplas dimensões: uma proposta de educação ambiental. Uma produção de nossos parceiros: LMF e LAPSEA do INPA.

As florestas precisam ser vistas como um “capital natural”. As quais fornecem uma rede permanente de benefícios e serviços, que suporta, fortalece e protege o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida. Incluir a floresta como tema transversal e de forma interdisciplinar se fundamenta no princípio de que é o ser humano quem dá sentido a tudo o que está em sua volta. Por isso, diz-se que a floresta é uma “produção social”.

No caso da Amazônia, é importante dizer que existem “florestas distintas” dentro da floresta amazônica. Olhando pela janela de um avião ou uma imagem de satélite, tudo parece igual. Mas, um olhar clínico consegue identificar detalhes e diferenças evidentes nesse “mar verde”.

Não há exatamente consenso das divisões das florestas, infelizmente. A base oficial do Governo Brasileiro é o Manual Técnico da Vegetação Brasileira, do IBGE. Mas, muitos grupos de pesquisas tendem a analisar pontos de vista distintos e inferir novas/diferentes métricas de comparação. Mesmo assim, é possível resumir naquilo que converge.

O terreno que suporta/sustenta a floresta pode ser dividido em dois: de terra firme e inundável. A diferença é a relação com a água. O termo terra firme se refere ao terreno mais alto que não é inundável pelas cheias dos rios. Já as áreas inundáveis são divididas em duas, com base no tipo de água que as inunda: igapós (água pretas/claras) e várzeas (águas barrentas/brancas).

Cada tipo de água que alaga as florestas possui características distintas. Águas pretas são mais ácidas, baixa quantidades de sedimentos e nutrientes. Águas barrentas/brancas, são ricas em minerais dissolvidos e em suspensão e com pH próximo ao neutro. Assim, as várzeas são florestas que recorrentemente são “bombardeadas” com material enriquecido, enquanto nos igapós nem tanto. Estas características influenciam o tipo de floresta, tanto no quesito Qualitativo (composição florística, por exemplo), quanto no Quantitativo (estoques de madeira/carbono, por exemplo).

Especificamente nas terras firmes, temos três classes topográficas: platô, encosta e baixio. Em cada um há uma composição de solos específica. Mais argiloso (platô) até o mais arenoso (baixio). Com isso, a umidade dos solos e a capacidade de retenção de água é diferenciada também. Ainda, é possível haver cursos d’água nos baixios, os chamados igarapés de terra firme. Que, por sua vez, na época de chuvas intensas tende a elevar o nível da água e inundar parcialmente o terreno.

Ainda sobre as florestas de terra firme, a localização geográfica também influencia no tipo de floresta a ser formada/mantida. Mais ao Oeste, as florestas tendem a apresentar uma relação simbiótica mais acentuada com bambus. Na região Central, são florestas mais densas, com sub-bosque rico em palmeiras. Já no Leste, são florestas mais altas, com solos mais rasos e ricos em minerais.

No fim, cada floresta é única. E, sendo assim, não é possível apontar uma forma única de se manejar. Cada “sítio” deve ser analisado individualmente. Suas características Quali- Quantitativas precisam ser levantadas de forma criteriosa e acurada. Para isso, recomenda-se estudos específicos: inventários florestais e sensoriamento remoto. Um complementa o outro. Inventários produzem informações quali- quantitativas precisas e acuradas, mas pecam por serem limitados geograficamente. O sensoriamento remoto é fundamental para a extrapolação das informações. A aplicação individualizada de cada um reproduz informações, mas é necessário ponderar o tipo de informação e sua utilidade posterior. Pois, um “diagnóstico mal feito” pode reproduzir um “falso positivo” ou, pior, um “falso negativo”.